quinta-feira, 27 de abril de 2017

O regresso (nº 23 de 384)


Depois de ter colocado aqui esta imagem lembrei-me que há 6 anos atrás, depois de uma pausa no meu antigo blog, escolhi exatamente a mesma imagem. Esta é para mim a imagem definitiva do regresso. O regresso da morte, que só é conseguido pela catarse do martírio. Sem ela nada nos garante que não estaríamos melhor no calor da terra que o túmulo nos proporciona. Por isso nada melhor do que nos esticarmos bem depois de uma hora a resistirmos a deixar o sono (as leitoras do blog conseguirão remeter a um caso conhecido) e enfrentarmos o novo dia.

Pensei em deixar de escrever depois do post sobre o Mosteiro de Alcobaça, que deu bastante trabalho, e depois de visitar a Sé de Viseu, que também ia dar uma trabalheira a escrever. A seguir visitei Barcelona. Ficava cansado só de pensar na pesquisa que ia ter de fazer. Por isso, não vou escrever nada sobre nada disso. Aliás, a partir de agora não vou escrever nada sobre o que possa ter o mínimo interesse.

Tive vontade de voltar ao blog depois de "tropeçar" numa igreja árabe no meio da encosta, sem nada o fazer prever. Há dois anos atrás, tinha tido a ideia de criar este blog quando dei com uma Via Sacra em barro na Serra do Bussaco. É essa a base para o meu regresso. Espero que valha a pena.


Passo na Serra do Bussaco

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Moinho das Doze Pedras, Figueira da Foz


Construído em 1778, com as suas moendas e engenhos, armazém de grão e farinha, é um testemunho raro da utilização da energia das marés para movimentação das suas mós. Diz-se ser o único conhecido na Península Ibérica, com 12 pedras. [fonte]


O seu funcionamento é explicado por esta infografia:

 [fonte]

Já nada existe no seu interior e grande parte das abóbadas inferiores desabou. A cobertura foi colocada em 1989, com vista à musealização do espaço.


No brasão da Freguesia de Alqueidão 12 mós remetem-nos para este monumento:


Este moinho encontra-se nos arrozais do Mondego. Perto, casas de apoio à atividade local:



Esta poderia ser uma cena do Apocalipse Now:


Mas ao invés de napalm trata-se de palha de colheitas anteriores a ser queimada.


Existe também uma ave (que não sei qual é) a povoar as árvores da região.



segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Porto




Na Torre dos Clérigos chamou-me a atenção a ortodoxia do restauro de uma sala de exposição:


Do cimo da torre avista-se uma torre encoberta pelo casario (faria parte da muralha?). Este fenómeno de ocultação de torres medievais acontece um pouco por todo o lado, e esconde as muralhas de muitas cidades a quem passa na rua, apesar de grande parte delas continuar a existir.


É interessante o exterior da Capela das Almas, que foi coberto de azulejos em 1929:


E o interior da Igreja dos Carmelitas, expoente do rococó, concluído em 1650:



Já apresentei vários dados sobre o Porto sem referir as fontes, por isso cá vão elas:


Uma papelaria antiga:


Picos para evitar que as pessoas se sentem na fachada de uma loja de artigos de luxo:


Casas meio demolidas:


Edifício onde vai nascer um novo hotel:


O Mercado do Bolhão dentro de pouco tempo vai ser fechado para obras, sendo que o seu interior vai ser totalmente reconfigurado (mas inspirado no original).



Grande parte da estrutura está escorada desde 2005:





terça-feira, 20 de dezembro de 2016

As minhas aventuras em Espanha


Visitámos Ciudad Rodrigo e Salamanca. Cada monumento por que passámos merecia um post, mas não foi com a intenção de perscrutar com pormenor que fomos, e por isso ainda ficou muito para ver quando voltarmos.

Ciudad Rodrigo

Tal como a vizinha Almeida, a que ainda não fui, Ciudad Rodrigo está protegida a toda a volta por uma fortificação abaluartada.





Na fachada Oeste é onde fica a torre da Sé. Costruída pelo arquiteto Juan de Sagarbinaga entre 1764 e 1772 em estilo neoclássico. Ainda podemos ver as marcas dos impactos da artilharia francesa contra a Sé, esta foi a parte mais assediada da cidade durante a Guerra Peninsular. [fonte]

Salamanca

Nunca tinha estado num sítio com tantos monumentos por metro quadrado. Em primeiro lugar duas fotos tiradas à noite que mostram as capacidades de um telemóvel atual:



As indicações são escritas diretamente nas fachadas em tons de grená ou bordô (este blog tornou-se momentaneamente na Pipoca mais doce):


As cantarias das portas não é constituída nem por lintéís retos nem por arcos romanos mas sim uma mistura dos dois, que com a passagem dos séculos e dos terramotos ganha novos contornos:



O arenito, de que são feitos os monumentos em Salamanca, é bastante fácil de esculpir, a que devemos trabalhos de escultura espetaculares, mas também é muito afetado pela erosão.


Por que é que nesta porta só as três primeiras fiadas de pedra é que foram afetadas? 



A correção mais comum que foi usada consistiu no espetamento de pregos, talvez acompanhado da colocação de mais algum material:


Também encontrei pequenos blocos metidos no meio de maiores (apesar de não perceber porquê):



Ou então simplesmente colocar capas nas pedras mais desgastadas:



Convento de San Esteban


O único monumento que visitámos em condições foi este convento em Salamanca. Chama a atenção a fachada da sua igreja coberta de esculturas:


Por todo o espaço estes espelhos mostram uma nova forma de olhar para o rendilhado do teto.


Para termos noção da grandiosidade deste monumento basta olhar para a sua sacristia, maior e mais trabalhada que a maioria das igrejas dos conventos portugueses:




O coro alto, que se vê na imagem anterior, é suportado por um arco com uma grande raio de curvatura e um amplo vão:


No entanto este não é o maior feito de engenharia no convento. A escada de acesso ao piso superior do claustro estava referida no guia, mas pensei que fosse apenas pela sua rica decoração, e por isso nem sequer a fotografei. Só ao ler a entrada na Wikipedia me apercebi da sua inovativa construção que tem como único apoio as paredes, dando origem ao primeiro vão de escadas de pedra que me lembro de ter visto:


Foi deste convento que partiram muitos peregrinos para a colonização da América, sendo que a viagem não correu bem a toda a gente, como está patente pelos retratos de mártires num altar da igreja.


Noutro local da igreja está esta grande marota que não perde nada que seja santuário ou capelinha para fazer das suas aparições:


E à frente dela está Nossa Senhora de Fátima.